A dependência química é caracterizada pela submissão do indivíduo às substâncias psicoativas ou psicotrópicas, sendo elas substâncias químicas lícitas e ilícitas, que alteram o seu comportamento, como drogas, álcool ou outras substâncias tóxicas.
Essas substâncias quando agem diretamente no sistema nervoso central, podem causar dependência.
Substâncias psicoativas causam diferentes efeitos no organismo e na vida da pessoa dependente.
É o caso da dependência alcoólica, por exemplo, que pode deixar o indivíduo extremamente depressivo, ou de substâncias que provocam confusão mental, como a cannabis.
Esses são só alguns exemplos de como o uso desenfreado dessas substâncias ocasiona problemas gravíssimos para a pessoa e para a família, que também sofre com o dependente dentro de casa.
O tratamento é realizado com o dependente químico (adicto) e seus familiares, que muitas vezes se tornam codependentes.
Segundo Roby Abeles o abuso de substância se inicia na adolescência. Ela segue dizendo que a adicção não é o problema, o problema é quando o que ocasiona a dependência não é tratado, como a dor e os traumas, deste modo, a adicção foi uma resposta a essa dificuldade.
O dependente químico muitas vezes é visto pela sociedade e até pela família como uma pessoa preguiçosa, fraca e sem controle de suas ações, mas, na verdade, a dependência química é uma doença crônica e existe tratamento, pode ser difícil, mas é extremamente possível e é sobre isso que falaremos neste texto. Continue lendo.
Dependência química é doença?
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dependência química pode ser caracterizada como “Transtornos mentais e comportamento decorrentes do uso de substâncias psicoativas”, cujo código do CID é F10 – F19.
A OMS considera que a dependência em drogas lícitas ou ilícitas é uma doença. O uso indevido de substâncias como álcool, cigarro, crack e cocaína é um problema de saúde pública de ordem internacional que preocupa nações do mundo inteiro, pois afeta valores culturais, sociais, econômicos e políticos.
O entendimento sobre dependência química evoluiu nos últimos anos, pois, antes ela era descrita simplesmente como caráter da pessoa e hoje é vista como uma doença crônica, o que amplia o campo de estudo a respeito do tema e possibilita diversos tratamentos para o quadro.
Um estudo desenvolvido pela OMS relata que a dependência química é um transtorno cerebral como qualquer outro problema psiquiátrico ou neurológico. As características hereditárias e os fatores psicossociais, culturais e ambientais podem desempenhar um papel importante nesse processo.
Nesse estudo o Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (UNODC), relata que 205 milhões de pessoas em todo o mundo usa algum tipo de droga, ilícita ou não. A mais comum é a maconha, seguida pelas anfetaminas, cocaína e derivados do ópio, como a morfina.
Considerando o estudo desenvolvido, o Relatório Mundial da Saúde de 2002, referente a 2000, a prevalência do uso de drogas ilícitas é maior entre homens do que entre mulheres. Os dados da pesquisa também revelam que a dependência é maior entre jovens até 25 anos.
Dependência química e seus sintomas
Cada substância consumida apresenta sintomas diferentes, mas há alguns sinais que podem ajudar a identificar o problema, são eles:
- O paciente passa a se dedicar muito mais ao consumo da substância do que à sua rotina.
- Apresenta dificuldade de controlar o seu comportamento após o consumo.
- Consumo cada vez maior da substância para se sentir satisfeito.
- Uso da substância mesmo sabendo que é nocivo para si e para os outros.
- Ausência de apreço com quem está ao seu redor.
Além disso, quando a pessoa começa o tratamento, é possível sentir sinais fisiológicos de abstinência, mas é um sintoma que passa e que deve ser acompanhado por uma série de profissionais qualificados.
Dependência química: problema adicional
É necessário tratar das questões que levou a pessoa ao abuso da substância psicoativa, que muitas vezes está relacionada a sua história de vida, assim como traumas; agressão física, psicológica e sexual; negligência física e emocional na infância; separação de um dos pais ou um ente querido que o fez se sentir abandonado; entre outras dores.
Roby Abeles ressalta que a dependência química (apego) é uma desregulação que pode ser causada por uma variedade de traumas, incluindo traumas relacionais precoces e rupturas de apego.
O apego é caracterizado por comportamentos específicos em crianças, como buscar proximidade com a figura de apego ao sentir-se perturbada ou ameaçada (Bowlby).
Sendo assim, o mesmo acontece com o adicto, quando ele se sente perturbado e ameaçado ele vai em busca do que está mais apegado, a droga, que o faz desconectar da dor e do vazio, mas, o que ele mais gostaria é de sentir a segurança que um dia lhe faltou, gerando um vazio, um buraco que tenta substituir com o que lhe dá prazer.
Segundo estudo sobre as Experiências Adversas da Infância (ACEs) com o início no ano de 1995 até 1997 e os participantes foram acompanhados por mais de 15 anos, é impossível para uma pessoa ter sucesso em parar com a adicção e se recuperar a longo prazo sem abordar e resolver suas experiências adversas da infância.
O cérebro do dependente químico
Segundo Marc Lewis PhD, “os adictos têm regiões do cérebro desconectadas” e isso os coloca em enorme desvantagem quando tentam permanecer limpos e sóbrios.
Mas não é impossível, segundo Mário Salvador porque “nosso cérebro é neuroplástico, ele tem a capacidade de estabelecer e fazer novas conexões sinápticas ao longo da vida”.
Salvador relata que é necessário cuidar desse cérebro, através da terapia de neuro processamento aonde vai sendo construída novas redes neurais, mais flexíveis, que nos permitem desenvolver a capacidade de estar na vida de forma atualizada e nova e perceber os aspectos agradáveis e desagradáveis e fazer escolhas melhores.
Através do tratamento especializado, com profissionais capacitados, incluindo terapia com a Metáfora do Crocodilo (Brainspotting) a pessoa pode tratar esse vazio ocasionado por vários acontecimentos e obter maiores resultados e assim ficar livre da droga que o aprisiona, que no caso, se tornou um problema adicional.
Dependência química: tratamento
A pessoa que sofre com a dependência química enfrenta diversos fatores de risco emocionais, sociais e mentais e por isso é necessário buscar ajuda.
Além disso, a família e amigos também sofrem com a pessoa que enfrenta uma dependência química, o que torna o processo ainda mais doloroso.
Neste caso, o primeiro passo é reconhecer que está enfrentando uma doença e com o apoio familiar, buscar ajuda profissional capacitada.
Acompanhamento médico, psicológico, social e em grupo (Narcóticos Anônimos ou NA e/ou Alcoólicos Anônimos ou AA) são algumas alternativas para iniciar o tratamento e ter uma assistência completa da equipe multidisciplinar que estará com o paciente durante este período.
Através da Portaria n.º 336/GM de 2002, Brasil, o Ministério da Saúde (MS) estabeleceu a criação de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) com várias modalidades de serviço, propondo estratégias de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação psicossocial.
Todas as modalidades de serviço são de caráter público SUS (Sistema Único de Saúde) e é direcionado à saúde mental e o tratamento é realizado através de uma equipe multidisciplinar, englobando o paciente e todo seu contexto social, inclusive os familiares.
Dentre as várias modalidades de serviço tem o CAPSi que é direcionado ao atendimento infanto-juvenil e adolescentes e o CAPSad (álcool e drogas) para aqueles com transtornos decorrentes do uso e dependência de substâncias psicoativas.
Dependência química: como ajudar
O Ministério da Saúde salienta que a família é elemento fundamental no tratamento, sendo ela a conexão mais próxima que o dependente tem com o mundo, mas é necessário também que a família se cuide.
Isso significa que o primeiro passo para ajudar um dependente é procurar um profissional na área da psicologia e grupos de apoio como o Nar-Anon para que o familiar também se cuide enquanto ocorre o tratamento da pessoa com dependência química.
Pesquisar e entender sobre o assunto também é uma boa maneira de ajudar, pois, somente munido de informações precisas é que a família vai conhecer os sinais de crises ou recaídas, por exemplo.
Se a pessoa que enfrenta a dependência química aceita a ajuda, chegou a hora de entrar em ação. Como? Auxiliando na busca de profissionais que podem iniciar o tratamento ou incentivando na procura de outras iniciativas para a desintoxicação.
Durante a recuperação do adicto, é importante que ele se sinta parte da família, por isso, é necessário que todos estejam sempre de braços abertos para que ele não se sinta sozinho ou com vontade de voltar ao caminho que antes traçava.
Se você conhece uma pessoa que está enfrentando a dependência química ou deseja iniciar um tratamento psicológico para ajudá-la da melhor forma, é só encaminhar uma mensagem acessando esse link. Estamos juntos no enfrentamento desta doença.
Psicóloga Edilene Soares Monteiro
CRP 16/2948

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