O TRAUMA é uma resposta do sistema nervoso (interno) e não tem origem no evento (externo). Levine entende que o trauma não é causado pelo evento em si, mas que se desenvolve por uma incapacidade do corpo, da mente e do sistema nervoso de processar estes eventos estressantes. O efeito do trauma na pessoa não pode ser compreendido separadamente do efeito corporal.

O trauma acontece quando o organismo é forçado além de sua capacidade adaptativa para regular os estados de ativação. Pode começar como um estresse intenso que surge em situações percebidas como de potencial ameaça à vida, como acidentes, procedimentos médicos invasivos, abuso sexual, físico ou emocional, situações de negligência, guerras, desastres naturais, perdas, trauma de nascimento, ou situações estressantes recorrentes de medo e conflitos que vão se acumulando com o tempo.

Quando somos dominados por uma ameaça, congelamos de medo, como se nossas energias instintivas de sobrevivência estivessem arrumadas, prontas para sair, mas sem um lugar para ir (Peter A. Levine, 1997).

O sistema nervoso (traumatizado) se desorganiza, falha e não consegue se recompor. Isto se manifesta em uma fixação global, em uma perda importante na capacidade rítmica de autorregulação da ativação, que orienta, permite estar no presente, e fluir na vida (Levine).

“O denominador comum do trauma é um sentimento de medo intenso, impotência, perda de controle e ameaça de aniquilamento” (Herman).