O reprocessamento do trauma on-line é uma possibilidade de cuidado psicológico para pessoas que precisam trabalhar experiências difíceis e suas repercussões emocionais e corporais. Mas será que é possível realizar esse trabalho pela tela do computador ou do celular?
Sim, a terapia on-line pode oferecer condições para o reprocessamento de experiências traumáticas, desde que essa modalidade seja adequada às necessidades da pessoa e existam condições para conduzir o atendimento com segurança.
Esse trabalho vai muito além de conversar sobre o que aconteceu. Envolve compreender como determinadas experiências continuam repercutindo no presente, reconhecer as emoções que surgem, perceber as respostas do corpo e respeitar o ritmo de cada pessoa.
No meu trabalho clínico, a atenção a esses aspectos é muito importante. Quero explicar a você como o reprocessamento do trauma on-line acontece, por que observo suas respostas corporais durante a sessão e como construímos, juntos, condições para trabalhar experiências difíceis respeitando seus limites.
Como experiências traumáticas podem continuar presentes?
Algumas experiências deixam marcas que vão além da lembrança do que aconteceu. Você pode saber que determinada situação pertence ao passado e, ainda assim, sentir medo, ansiedade ou uma sensação de ameaça quando algo no presente desperta aquela experiência.
Às vezes, isso aparece em situações cotidianas: uma conversa, um tom de voz, um conflito, uma separação ou uma situação que lembra, mesmo que parcialmente, algo que você viveu.
Nesses momentos, talvez você perceba que reage de uma maneira que nem sempre consegue compreender. Seu coração pode acelerar, a respiração mudar, o corpo ficar tenso ou surgir uma vontade intensa de fugir, se defender ou se afastar.
O psiquiatra e pesquisador Bessel van der Kolk, autor de O corpo guarda as marcas, aborda como experiências traumáticas podem repercutir na memória, nas emoções, nas sensações corporais e na maneira como a pessoa vivencia o mundo.
Isso não significa que toda dificuldade emocional ou todo sintoma físico seja consequência de um trauma. Cada experiência precisa ser compreendida em seu contexto, e sintomas físicos também podem exigir avaliação médica.
Na psicoterapia, buscamos compreender o que essas experiências significam para você e como podemos trabalhar suas repercussões, considerando sua história, seus recursos e suas necessidades atuais.
O reprocessamento do trauma on-line permite trabalhar essas repercussões por meio de recursos terapêuticos adequados, respeitando a história e as necessidades de cada pessoa.
Como acontece o reprocessamento do trauma on-line?
Antes de iniciar o trabalho com uma experiência difícil, precisamos construir uma relação terapêutica de confiança e compreender como você está naquele momento.
Conversamos sobre o que está acontecendo em sua vida, quais situações provocam sofrimento e como você costuma reagir quando algo desperta emoções intensas. Também identificamos recursos que podem ajudá-lo a reconhecer o que sente e a lidar com momentos de maior ativação emocional.
Quando existem condições para avançar, podemos trabalhar com lembranças, emoções, pensamentos e sensações relacionados à experiência. Isso não significa que você precise contar todos os detalhes do que aconteceu ou reviver o sofrimento de maneira intensa.
O reprocessamento é conduzido de acordo com o método utilizado, a avaliação clínica e suas respostas durante a sessão. Em alguns momentos, podemos direcionar a atenção para uma lembrança; em outros, observar uma sensação corporal, um pensamento ou uma emoção que aparece enquanto você entra em contato com o que está sendo trabalhado.
O mais importante não é avançar o máximo possível, mas acompanhar como você está vivenciando o processo.
A terapia on-line pode oferecer condições para esse trabalho, mas não é indicada da mesma forma para todas as pessoas e situações. Por isso, também considero as condições do ambiente em que você está, a privacidade disponível e as possibilidades de oferecer suporte caso surjam reações intensas.
A Organização Mundial da Saúde reconhece intervenções psicológicas que podem ser realizadas presencialmente ou on-line no cuidado ao transtorno de estresse pós-traumático. A indicação de cada modalidade, entretanto, depende da avaliação clínica e das necessidades da pessoa.
Reprocessamento do trauma on-line: por que observar o corpo?
Quando estamos diante de uma experiência difícil, nem sempre conseguimos expressar em palavras tudo o que sentimos. Às vezes, percebemos primeiro uma mudança na respiração, um aperto no peito, uma sensação no estômago ou uma tensão que surge sem que consigamos explicar imediatamente o motivo.
A percepção dos sinais internos do corpo é chamada de interocepção. Ela envolve, por exemplo, perceber sensações relacionadas à respiração, aos batimentos cardíacos, ao estômago e a outras funções internas.
Durante o reprocessamento, essas sensações podem trazer informações importantes sobre como você está vivenciando a experiência. Por isso, não observo apenas o conteúdo da sua fala: também procuro acompanhar sua postura, seus movimentos, sua respiração e as mudanças que aparecem ao longo da sessão.
Sempre que possível, prefiro que a câmera permita observar não apenas o rosto, mas também uma parte significativa do corpo, idealmente da cintura para cima. Essa é uma orientação da minha prática clínica, pois pode ampliar as possibilidades de observar as respostas corporais durante o atendimento on-line.
Entretanto, um sinal corporal isolado não revela, por si só, o que você está sentindo. Uma alteração na respiração, um olhar distante ou um movimento podem ter diferentes significados. Por isso, observo, pergunto, escuto e procuro compreender com você o que está acontecendo.
A importância da percepção corporal também é discutida no artigo científico de Peter Payne, Peter Levine e Mardi Crane-Godreau sobre Experiência Somática, interocepção e propriocepção no tratamento do trauma.
O corpo não é algo separado da sua história. Ele faz parte da maneira como você percebe e vivencia o mundo. Por isso, suas sensações merecem ser acolhidas, sem interpretações precipitadas e sem presumir que todo desconforto tenha origem emocional.
Sintonia dual: a presença do terapeuta faz diferença
Talvez você imagine que, durante uma sessão on-line, o psicólogo precisa apenas observar a tela enquanto você fala. No trabalho com o reprocessamento, porém, a atenção envolve muito mais do que acompanhar visualmente o paciente.
David Grand, criador do Brainspotting, e Frank Corrigan discutem a sintonia entre terapeuta e paciente em seu artigo científico sobre Brainspotting e o processamento de experiências traumáticas.
A sintonia dual envolve a atenção à experiência interna do paciente e à relação terapêutica que se estabelece durante o processo. Em termos simples, enquanto você acompanha o que acontece dentro de si, o terapeuta permanece atento à sua experiência e à maneira como vocês estão conectados naquele momento.
Na prática, isso significa que procuro acompanhar o que você relata, suas sensações, suas mudanças corporais e a maneira como responde ao que está sendo trabalhado. Também verifico como está se sentindo, se consegue acompanhar o processo e se precisamos ajustar o ritmo.
Essa presença não significa que o terapeuta consiga saber exatamente o que acontece com você apenas olhando para a câmera. Ao contrário: exige disponibilidade para perguntar, escutar e reconhecer que sua experiência só pode ser compreendida com a sua participação.
Mesmo através da tela, você não precisa se sentir sozinho
Durante o reprocessamento, há momentos em que considero importante tornar ainda mais explícita a minha presença, mesmo estando do outro lado da tela. Faço isso por meio da sintonia dual, da minha atenção ao que você está vivenciando e também da minha fala, quando percebo que esse acolhimento pode ser importante.
Em alguns momentos, digo ao paciente:
“Você não está sozinho(a). Eu estou com você. Se você permitir, pode imaginar que eu pego na sua mão, coloco minhas mãos sobre os seus ombros ou até lhe dou um abraço.”
Esse convite é uma forma de oferecer acolhimento e presença, respeitando a liberdade de cada pessoa. Não se trata de presumir o que o paciente precisa, mas de oferecer uma possibilidade de apoio, permitindo que ele perceba se essa imagem faz sentido para sua experiência naquele momento.
Mesmo através da tela, a relação terapêutica pode ser construída com presença, atenção e cuidado. Enquanto você acompanha sua experiência interna, procuro permanecer atenta às suas respostas, à maneira como se sente e à necessidade de ajustar a condução da sessão.
Estar presente durante o reprocessamento não significa apenas observar o que acontece. Significa também escutar, comunicar-se, acompanhar e respeitar o ritmo de quem está ali, trabalhando com experiências que podem ser delicadas e difíceis.
O que a Teoria Polivagal nos ajuda a compreender?
O pesquisador Stephen Porges desenvolveu a Teoria Polivagal, uma proposta que procura compreender as relações entre o sistema nervoso autônomo, as respostas diante de situações percebidas como ameaçadoras e os processos relacionados à segurança e à interação social.
Essa perspectiva chama a atenção para a importância de considerar como a pessoa vivencia a segurança, o ambiente e a relação com o outro.
Por isso, durante o reprocessamento, não considero suficiente direcionar a atenção para uma lembrança e deixar que o processo siga sem acompanhamento. É necessário observar como você está respondendo, se consegue manter contato com o presente e se dispõe de recursos para continuar trabalhando aquela experiência.
Em algumas situações, a pessoa pode apresentar sinais de maior ativação, como agitação, tensão e respiração acelerada. Em outras, pode parecer distante, apresentar dificuldade para identificar o que sente ou ter a sensação de estar desconectada de si ou do ambiente.
Essas manifestações podem ter diferentes explicações. Por isso, não podemos concluir que uma pessoa esteja dissociando apenas porque mudou a respiração, desviou o olhar ou ficou em silêncio. É necessário investigar o que está acontecendo e compreender a experiência em seu contexto.
A Teoria Polivagal é um referencial utilizado na discussão clínica sobre segurança e regulação, embora algumas de suas explicações fisiológicas sejam objeto de debate científico. Assim, é importante tratá-la como uma perspectiva teórica, e não como uma explicação definitiva para todas as reações emocionais ou corporais.
Janela de tolerância no reprocessamento do trauma on-line
Você já percebeu que, em alguns momentos, consegue conversar sobre algo doloroso, mas, em outros, sente que tudo fica intenso demais?
A janela de tolerância é um conceito utilizado para compreender a faixa de ativação emocional em que conseguimos permanecer em contato com uma experiência e, ao mesmo tempo, manter recursos para perceber o presente, pensar e participar do que está acontecendo.
Quando estamos dentro dessa faixa, podemos sentir desconforto e ainda assim conseguir acompanhar o processo. Quando a ativação se torna intensa demais, podemos ter dificuldade para pensar, sentir que precisamos fugir ou reagir impulsivamente. Em outras situações, podemos nos sentir entorpecidos, distantes ou desconectados.
A janela de tolerância não é um limite fixo. Ela pode variar conforme o contexto, o cansaço, as condições emocionais e a experiência que está sendo trabalhada.
Por isso, durante o reprocessamento do trauma on-line, procuro compreender até onde você consegue avançar naquele momento. Não se trata de testar sua resistência nem de exigir que entre em contato com uma lembrança dolorosa a qualquer custo.
Se percebermos que está difícil continuar, podemos desacelerar, fazer uma pausa, direcionar a atenção para o ambiente ou utilizar recursos de estabilização. Se houver sinais de desorientação ou possível dissociação, pode ser necessário interromper o trabalho com a lembrança e priorizar a reconexão com o presente.
Respeitar a janela de tolerância significa reconhecer que o processo precisa acompanhar você, e não exigir que você acompanhe o processo a qualquer preço.
Reprocessamento do trauma on-line: combinados de segurança antes da sessão
Antes de iniciar qualquer trabalho de reprocessamento, converso com você sobre o que pode acontecer durante a sessão e explico que é importante me comunicar como está se sentindo ao longo do processo.
Quero que você saiba que não precisa suportar um desconforto intenso em silêncio, nem continuar acompanhando uma experiência se perceber que está ficando difícil demais. Se a ativação corporal aumentar, se o incômodo estiver ultrapassando o que consegue tolerar ou se sentir que precisa interromper, é importante me dizer.
Também combinamos um sinal com uma das mãos para utilizar caso você perceba que o desconforto está se tornando intolerável ou tenha dificuldade para expressar isso verbalmente. Esse sinal me permite interromper o procedimento e intervir para ajudar você a recuperar o contato com o presente e avaliar o que precisa naquele momento.
Esses combinados são especialmente importantes na terapia on-line, porque estamos em ambientes físicos diferentes. Por isso, precisamos estabelecer formas claras de comunicação e garantir que você saiba como pedir uma pausa sempre que necessário.
Por que a sintonia dual é tão importante durante o reprocessamento?
Nem sempre a pessoa percebe ou consegue comunicar que está ultrapassando sua janela de tolerância. Em algumas situações, ela pode continuar tentando acompanhar o processo, mesmo quando a ativação já está muito intensa. Em outras, pode apresentar sinais de distanciamento ou dissociação e ter dificuldade para reconhecer o que está acontecendo.
É por isso que a sintonia dual é tão importante. Enquanto você acompanha sua experiência interna, permaneço atenta ao que relata, às suas respostas corporais, às mudanças na respiração, na postura, no olhar e na maneira como participa da sessão. Quando percebo alguma mudança que merece atenção, posso interromper o procedimento e perguntar como você está, mesmo que ainda não tenha utilizado o sinal combinado.
A observação, porém, não substitui a sua comunicação, e nenhum sinal corporal isolado permite concluir exatamente o que você está sentindo. Por isso, construímos juntos uma forma de acompanhar o processo, combinando sua percepção, minha observação e a possibilidade de interromper o trabalho sempre que necessário.
Também estabelecemos recursos para ajudar você a se orientar no presente, reconhecer seus limites e recuperar a estabilidade quando precisar. Esses combinados são revistos conforme suas necessidades e as respostas que aparecem ao longo do tratamento.
O objetivo é reduzir o risco de sobrecarga e de retraumatização. Não é possível eliminar completamente todos os riscos, mas é possível planejar o atendimento, respeitar seus limites e ajustar a condução quando necessário.
Você não precisa chegar ao seu limite para que o reprocessamento aconteça. Poder comunicar que algo está demais, pedir uma pausa e ser acolhido nessa necessidade faz parte do cuidado terapêutico. O processo deve ser conduzido com você, respeitando seu ritmo e suas condições de segurança.
Titulação e rastreamento: por que não precisamos fazer tudo de uma vez?
No trabalho com experiências traumáticas, nem sempre é adequado aprofundar imediatamente o contato com aquilo que provoca sofrimento. Em determinadas situações, pode ser mais cuidadoso aproximar-se da experiência gradualmente, observando como você responde.
A titulação é um princípio utilizado em abordagens corporais, como a Experiência Somática, associada a Peter Levine. Ela envolve entrar em contato com pequenas doses de uma experiência difícil, ajustando o ritmo conforme a capacidade da pessoa de acompanhar o que surge.
Já o rastreamento das sensações corporais envolve observar o que acontece no corpo: onde uma sensação aparece, como se modifica e o que você percebe enquanto permanece atento a ela.
Talvez você perceba um aperto no peito que diminui, uma tensão que muda de lugar ou uma sensação que se torna mais fácil de identificar quando consegue prestar atenção a ela sem se apressar para afastá-la. Essas são apenas possibilidades; cada pessoa vivencia o processo de maneira diferente.
Outro recurso utilizado em algumas abordagens é a pendulação, que envolve alternar a atenção entre experiências de maior desconforto e sensações ou estados associados a maior estabilidade. Esse movimento pode ajudar a não manter toda a atenção continuamente concentrada no conteúdo doloroso.
Esses princípios não são aplicados de maneira idêntica em todos os métodos. A forma de utilizá-los depende da abordagem, da avaliação clínica e das necessidades do paciente.
O importante é compreender que não precisamos aprofundar uma experiência de uma só vez. Podemos ajustar o contato, observar suas respostas e respeitar o que você consegue acompanhar.
Como os recursos terapêuticos podem contribuir para o atendimento on-line?
No meu trabalho clínico, utilizo diferentes recursos conforme a história, as necessidades e as condições de cada pessoa. Eles têm propostas próprias e não são intercambiáveis, mas podem contribuir de maneiras diferentes para o cuidado com experiências traumáticas e para o desenvolvimento de recursos de regulação.
O EMDR, desenvolvido por Francine Shapiro no final da década de 1980, utiliza um protocolo estruturado que envolve a atenção a experiências perturbadoras e a estimulação bilateral, que pode ser visual, auditiva ou tátil. A EMDR Brasil explica o funcionamento dessa abordagem. A Organização Mundial da Saúde inclui o EMDR entre as intervenções psicológicas recomendadas para adultos com transtorno de estresse pós-traumático, conforme suas orientações sobre intervenções psicológicas.
O Brainspotting, desenvolvido por David Grand, utiliza a atenção focada e a observação da experiência interna durante o processamento. A sintonia entre terapeuta e paciente também faz parte da maneira como essa abordagem é conduzida.
Na Experiência Somática, associada a Peter Levine, a atenção às sensações corporais e o respeito ao ritmo individual são aspectos importantes. A titulação e a pendulação são recursos que podem ajudar a trabalhar experiências difíceis de maneira gradual, de acordo com a condução clínica.
O MATES — Programa de Regulação do Cérebro pode ser utilizado como recurso complementar para desenvolver a percepção dos próprios estados e ampliar estratégias de autorregulação. Sua função é diferente da de um método de reprocessamento, e sua utilização depende das necessidades e dos objetivos do cuidado.
Na terapia on-line, a escolha e a adaptação desses recursos precisam considerar as condições do atendimento remoto, a privacidade, a capacidade de acompanhamento e a possibilidade de oferecer suporte caso surja uma reação intensa.
Independentemente do recurso utilizado, minha atenção permanece voltada para você: para aquilo que sente, para suas respostas e para o que consegue acompanhar naquele momento.
A segurança também precisa ser planejada na terapia on-line
Estar em casa pode trazer conforto para algumas pessoas, mas isso não significa que qualquer ambiente seja adequado para trabalhar experiências traumáticas.
É importante ter privacidade, evitar interrupções e contar com uma conexão que permita manter a comunicação. Também precisamos conversar previamente sobre o que fazer caso você se sinta muito ativado, desorientado ou emocionalmente sobrecarregado durante a sessão.
Quando pertinente, podemos avaliar recursos de apoio para situações específicas. A possibilidade de envolver um familiar ou uma pessoa de confiança deve ser discutida com o paciente e, em regra, depende de sua autorização, respeitando a autonomia e o sigilo profissional, observadas as exceções éticas e legais aplicáveis.
Se as condições remotas não forem suficientes para acompanhar você adequadamente, pode ser necessário interromper o reprocessamento e avaliar outras formas de cuidado. Reconhecer esse limite faz parte da responsabilidade profissional.
É possível realizar o reprocessamento do trauma on-line?
Sim. A terapia on-line pode oferecer condições para o reprocessamento de experiências traumáticas, desde que essa modalidade seja adequada à situação e que os cuidados necessários estejam presentes.
O trabalho não depende apenas da presença física no consultório. Envolve vínculo terapêutico, planejamento, escolha criteriosa dos recursos e atenção contínua à experiência do paciente. Ao mesmo tempo, é importante reconhecer que o atendimento remoto tem limitações e não é a melhor opção para todas as situações.
Cada pessoa tem uma história, um ritmo e necessidades próprias. Por isso, não existe uma única maneira de conduzir o reprocessamento, nem é possível garantir resultados ou estabelecer um prazo igual para todos.
Se você está pensando em iniciar a terapia on-line, pode conversar com o psicólogo sobre suas dúvidas, suas necessidades e as condições para realizar esse trabalho.
Você não precisa enfrentar sua história sozinho, nem precisa avançar mais rápido do que consegue. O cuidado terapêutico deve respeitar seus limites, acolher suas experiências e ajudar você a compreender o que sente, construindo, passo a passo, novas possibilidades de relação com a própria história.
O reprocessamento do trauma on-line pode ser uma possibilidade de cuidado quando a modalidade é adequada à pessoa e o atendimento é conduzido com planejamento e acompanhamento clínico.
Psi Edilene S. Monteiro
Psicóloga | CRP 16/2948
